segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Liberdade Só Para a Imprensa Golpista

Quando terminou o prazo de concessão para o funcionamento de uma emissora de televisão na Venezuela, Hugo Chaves não a renovou, utilizando-se da legislação do país.

Essa emissora teve papel decisivo no suporte e apoio ao golpe militar que ocorreu em 1992, derrubando Chaves do governo. Dias depois, após ampla mobilização popular, Chaves voltou ao poder e a emissora prosseguiu durante anos com sua obstinada missão golpista.

A mídia brasileira, desesperada com a atitude de não renovação da concessão pública da emissora venezuelana, até hoje afirma tratar-se de um golpe contra a “liberdade de imprensa” promovida pelo “ditador” Chaves.

A Agência de Notícias Reuters acaba de informar que nesta madrugada soldados do exército de Honduras invadiram e tiraram do ar a emissora Rádio Globo, uma das poucas que não aderiram ao golpe militar. A medida visa “silenciar meios de comunicação que apoiam o presidente deposto, Manuel Zelaya, disse o diretor da emissora”.

Além disso, o governo golpista de Micheletti editou uma espécie de AI-5 hondurenho, suspendendo as garantias constitucionais por 45 dias, restringindo as liberdades de circulação, expressão e reuniões públicas, entre várias outras medidas. Como diria o Arnaldo Jabor, trata-se de um “golpe democrático”.

Não é difícil imaginar o comportamento da mídia brasileira frente a esse fato. Vão dar nó em pingo d’água para encontrar alguma justificativa “legal”. Não será difícil encontrar penas de aluguel para defender as medidas dos golpistas. Sempre haverá aqueles em constante disponibilidade, como o ex-Libelu e atual geógrafo Demétrio Magnoli, e outros “sociólogos”, “professores de filosofia”, “psiquiatras”, “jornalistas”, “advogados”, etc.

Por isso, torna-se cada vez mais cristalino e palpável o título utilizado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim para designar a mídia brasileira: PIG – Partido da Imprensa Golpista.

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Honduras: Pergunta aos candidatos

O governo brasileiro tem atuado com firmeza no plano internacional em relação aos golpistas hondurenhos e defende claramente um dos lados em disputa.

A mídia brasileira defende suas posições abertamente: é a favor do golpe, é a favor da prisão, tortura e morte de trabalhadores e jovens hondurenhos, é a favor da censura à imprensa, é a favor da sonegação de liberdades democráticas, é a favor do terror, é a favor da oligarquia hondurenha. Enfim, em relação à situação de Honduras, a mídia brasileira defende exatamente o que defendem também para o Brasil.

Sobre esse tema, qual a posição dos candidatos a presidente da República em 2010? Por acaso alguém sabe? Por acaso algum deles vai se manifestar?

José Serra, Aécio Neves, Ciro Gomes, Marina Silva, Heloísa Helena e outros que se arriscarem a concorrer: o que vocês pensam a respeito do que está ocorrendo em Honduras?

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terça-feira, 22 de setembro de 2009

O apagão na Telefonica

Telefonica Espanha

Telefonica: Campeã de queixas no Procon

Hoje o site Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, destaca o artigo abaixo, do engenheiro de telecomunicações Virgílio Freire.

Vale a pena ler na íntegra, para entender como se deu o processo de privatização no Brasil durante o governo de ocupação do sr. Fernando Henrique Cardoso, nos idos dos anos 90 do século passado:

Está na hora de retomar a Telefônica

por Virgílio Freire*

1. No final da década de 1990, sob a influência de Margareth Thatcher, Ronald Reagan e Wall Street, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu privatizar tudo que pudesse, e na sua lista o item mais importante eram as telecomunicações. Por dar a máxima importância ao assunto, colocou seu melhor amigo e principal colaborador, Sérgio Motta, no Ministério das Comunicações, com a principal missão de privatizar a Telebrás. A idéia corrente na época era de que o Estado não tinha condições de investir nem de ser um bom administrador de empresas. Este conceito mostrou-se falso na última década.

2. Antes de prosseguirmos, é importante, muito importante, destruir um mito. O de que a antiga Telebrás e suas subsidiárias eram incompetentes, ineficientes, lentas, burocráticas e incapazes de prestar os serviços de telecomunicações necessários exigidos por uma sociedade moderna. Mostrarei por que isto não é verdade.

3. A Telebrás tinha sede em Brasília, e atuava através de subsidiárias, uma em cada Estado brasileiro. Estas operadoras, todas, sem exceção, tinham lucros consideráveis todos os anos. Os balanços anuais da Telebrás e de suas subsidiárias estão nos arquivos dos jornais, da Anatel, do Ministério das Comunicações, e confirmam isso. Com estes lucros, a Telebrás e suas empresas poderiam facilmente investir, implantar novos sistemas e instalar milhões de telefones para os brasileiros. Os recursos, na época, eram da ordem de bilhões de dólares, nada inferiores aos valores que as operadoras privadas “investem” atualmente (voltarei a este tema mais adiante).

4. Durante os governos militares, entre 1964 e 1974, nestes 10 anos, a Telebrás teve grande autonomia de ação, pois os generais e militares que governavam o Brasil viam as telecomunicações como um setor estratégico para o desenvolvimento e a defesa. Quando entrei na Telesp, subsidiária da Telebrás em São Paulo, em 1973, não havia necessidade de concurso público: a empresa admitia seus funcionários através de um Departamento de Recursos Humanos, como qualquer outra organização, com base em testes, entrevistas, comparação entre candidatos etc. Nosso orçamento era administrado pela própria Telesp e pela holding, a Telebrás, e inteiramente gasto e aplicado dentro do sistema de telecomunicações.

5. Quando entrei para a Telesp, o Brasil todo tinha 3 sistemas de micro-ondas – um ligando o Rio a São Paulo, outro ligando São Paulo a Campinas e um terceiro ligando o Rio a Brasília.

6. Os militares criaram um fundo para que o sistema de telecomunicações pudesse expandir-se e manter-se financeiramente robusto. Era uma taxa, cobrada em todas as contas telefônicas, chamada FNT, ou Fundo Nacional de Telecomunicações. Por lei, este dinheiro, que era de bilhões de dólares, deveria TODO ser aplicado na expansão, ampliação, manutenção e operação das telecomunicações do Brasil.

7. Estes recursos foram aplicados de forma ética e profissional por um grupo de jovens profissionais vindos da universidade na década de 60, engenheiros acima de tudo, gente com pós-graduação na França, nos Estados Unidos etc., e orientados por engenheiros militares – homens sem qualquer orientação ideológica, mesmo naquela época da Guerra Fria. Entre os anos de 1968 e 1978 o Brasil passou de apenas 3 ligações de micro-ondas para uma rede de torres com altura de até 100 metros, cobrindo desde Manaus a Porto Alegre, de Corumbá a Natal. Dezenas de milhares de quilômetros de micro-ondas, interligando o País. Implantou-se a Discagem Direta a Distancia, que hoje é considerada corriqueira, mas, antes da Telebrás, para se falar com outra cidade tinha de ser através da telefonista.

8. A Embratel, encarregada dos troncos de longa distância, mandou seus engenheiros especializarem-se no Japão, Estados Unidos, França, Itália. Assim, os recursos do Fundo Nacional de Telecomunicações foram usados da forma prevista em lei, e eficientemente.

9. Ocorre que nos últimos governos militares, ou seja, dos generais Ernesto Geisel e João Figueiredo, e posteriormente já sob a presidência de José Sarney, que somam 16 anos (note bem, 16 anos), a Telebrás viveu sob uma série de limitações e restrições. Foi a época da hiperinflação, em que em apenas um dia a moeda brasileira perdia mais de 1% ou 2% de seu valor. Em um ano a inflação era de mais de 1.000%.

10. O ministro todo-poderoso na época dos militares era o hoje deputado Antônio Delfim Netto. O Brasil havia contraído pesadas dívidas com bancos estrangeiros, e havia uma enorme pressão do governo americano, do FMI e do Banco Mundial para que esta dívida fosse paga dentro do prazo. E não conseguíamos. Todos os anos renegociávamos a dívida. Deixávamos de pagar, atrasávamos os pagamentos. Delfim, então, criou um “Fundão”. Ilegal, mas na época nada que os militares e seus amigos resolvessem era ilegal.

11. Delfim determinou que os recursos de todos os fundos setoriais, como era o caso do Fundo de Telecomunicações, fossem diretamente depositados no Fundão, e que não fossem mais aplicados nos setores respectivos. Então, a partir da década de 1980, a Telebrás foi forçada a renunciar aos enormes recursos do FNT e colocá-los no Fundão. Mas a coisa ficou ainda pior. Delfim criou um organismo chamado Secretaria de Controle das Estatais (Sest). A função desta secretaria era administrar as estatais. Literalmente.

12. Então, também a partir dos anos 1980, a Telebrás, todos os anos, elaborava seu orçamento de investimentos e de gastos em operação para o ano seguinte, e seu presidente era forçado a ir negociar estes números com a Sest. Nesta última, quem mandava eram os jovens economistas discípulos de Delfim Netto, preocupados apenas em pagar a famosa dívida externa, e sem nenhuma sensibilidade para um conceito mais amplo e estratégico de desenvolvimento da infraestrutura do País, em estradas , transportes, ferrovias (sucatearam toda a rede ferroviária do Brasil) e telecomunicações.

13. Então, a Sest analisava os planos da Telebrás apenas do ponto de vista econômico, e ainda assim com a estreita visão de verificar o quanto a Telebrás poderia contribuir para a redução da dívida externa – não comprando equipamentos importados, não gastando em pessoal etc. O nível de controle central e de opressão da Telebrás chegava ao ponto de que qualquer reajuste de salários tinha de ser aprovado pela SEST, qualquer aumento no número de funcionários da Telebrás tinha de também ter sua aprovação. Os gastos com operação, com pessoal, com equipamentos, os investimentos em novos sistemas, tudo tinha de ser aprovado pela Sest.

14. Pense um pouco no martírio que é para uma empresa de alta tecnologia, que tem de atuar num mercado ágil e em contínua mudança, ter de solicitar à Sest aprovação para aumentar o número de funcionários de 50.356 para 51.896, por exemplo – não estou exagerando, estes fatos ocorreram. Nós, executivos da Telebrás, estávamos constantemente frustrados pela camisa de força da Sest, e impedidos de reagir contra ela – até porque o presidente da Telebrás era um general (muito íntegro, respeitado por todos, mas nenhum general descumpre uma ordem superior).

15. E ainda ficou pior. Uma vez aprovado pela Sest quanto a Telebrás podia investir, era necessária a aprovação do Congresso Nacional. Permitam-me insistir – a Telebrás, em determinado ano, lucrava US$ 4 bilhões. Propunha à Sest investir em novos sistemas US$ 2 bilhões, por exemplo, a fim de atender à demanda telefônica, que não era atendida. A Sest fazia seus cálculos cabalísticos e informava à Telebrás que só poderia investir US$ 1 bilhão – o restante iria para ao pagamento da dívida externa. A Telebrás obedientemente investia apenas o autorizado, e a demanda ficava não atendida, as pessoas frustradas, revoltadas, porque devido a esta limitação artificial de recursos e ao fato de não dispor mais do dinheiro do FNT, os prazos para receber uma linha telefônica nova eram de 2 ou 3 anos. Repetindo: a Telebrás tinha dinheiro e não a deixavam gastar. O sistema telefônico estagnava, e a culpa era atribuída erroneamente à nossa empresa de telecomunicações.

16. O orçamento de investimentos já drasticamente reduzido pela Sest era então submetido ao Congresso, que fazia novos cortes. E enquanto o Congresso não aprovasse, a Telebrás não podia investir sequer o que a Sest havia autorizado.

17. Essas eram as condições de governança da Telebrás. Apesar de seu porte, de ser lucrativa, de ter um mercado ávido, de possuir recursos financeiros e humanos, era impedida de trabalhar como uma empresa, e forçada a funcionar como uma repartição pública. Os governos civis mantiveram o Fundão, mantiveram o controle da Sest, e a Telebrás continuou engessada, para frustração do público e dos profissionais que nela atuavam, e que queriam atender às necessidades em telecom do Brasil.

18. Criou-se então, propositalmente ou não, a imagem de que “o Estado não sabe administrar”. Pelo visto acima, não era uma questão de ser ou não administrada pelo Estado e sim de ter liberdade de funcionar como uma empresa. Na mesma época, a Petrobrás era dispensada destes controles, ou, se os havia, ela os ignorava, e continuou expandindo-se, no Brasil e no exterior. Prosseguiu nas pesquisas de extração no mar, assinou parcerias com outros países etc. Já a Telebrás foi ficando cada vez mais desmoralizada, por se submeter aos cortes e à perda de seu fundo de expansão.

19. Era a década de 1980, e a moda eram as privatizações na Inglaterra feitas por Margareth Thatcher, era a implantação do “Modelo Competitivo” nos Estados Unidos. Ambas as ideias mostraram-se inadequadas e ambiciosas demais. Margaret Thatcher vendeu as ferrovias, as estradas, as telecomunicações, tudo. Ainda durante seu governo houve pelo menos 4 grandes acidentes ferroviários, consequência de má administração nas ferrovias privatizadas. Já nos Estados Unidos, a filosofia ultracapitalista da Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês), a Anatel americana, era de que, se fossem vendidas licenças para que outras empresas concorressem com as telefônicas do Grupo AT&T, também chamado Grupo Bell, a concorrência seria benéfica para o consumidor. Venderam então licenças para operar sistemas de telefonia fixa, celulares, de longa distância. A concorrência nunca decolou.

20. Após mais de 20 anos, as novas operadoras não haviam conseguido mais do que 10% do mercado. Simplesmente porque a ideia é inviável. Imagine-se que o governo deseje implantar “concorrência” no sistema de fornecimento de energia elétrica. Venda uma licença para operar a distribuição de eletricidade. A empresa ganhadora da licença teria de fincar milhões de postes, lançar milhões de quilômetros de fios, para poder chegar na sua casa. Evidentemente seria impossível investir tudo isso e ainda ser lucrativa. O mesmo ocorre em telecomunicações, com raras exceções. É impossível a real competição, porque já existe uma operadora com uma rede imensa de cabos e fios, de sistemas, e quem quiser concorrer vai ter de investir bilhões de dólares, com retorno duvidoso. Por isso a competição não funcionou nos Estados Unidos, nem na Europa, e nem no Brasil.

21. Aqui, então, surfando na ideologia mundialmente aceita na época de que o Estado é mau administrador e de que “a competição é sempre benéfica para o consumidor”, o governo de Fernando Henrique Cardoso decidiu fazer o que a Inglaterra havia feito – vender a operadora estatal de telecom e abrir licenças para competidores. Com a venda dos ativos estatais, o governo recebia dinheiro para terminar de pagar a dívida externa, e com a venda de licenças para outros concorrerem no mercado de telecom, também recebia polpudos recursos para aplicar onde quisesse. E, teoricamente, quem comprasse a Telebrás iria usar seu próprio dinheiro para investir e melhorar as telecomunicações no Brasil.

22. Vendeu-se então a Telebrás, dividida em quatro partes – a Embratel, que tinha todo o sistema de longa distância e de transmissão de dados, e a telefonia fixa local agrupou-se em três empresas: uma em São Paulo, a Telesp, outra cobrindo o Sul e o Oeste, e uma terceira cobrindo o Nordeste desde o Espírito Santo até o Amapá.

23. No caso de São Paulo, venceu o leilão a Telefónica de España. Grandes esperanças, grandes comemorações. Mas logo uma nova realidade desabou sobre a Telesp. Chegaram os espanhóis. Inicialmente colocaram um espanhol “grudado” a cada gerente brasileiro. Em seguida demitiram os brasileiros. Hoje não existe na atual Telefônica, ex-Telesp, ninguém com mais de 10 anos de casa. Toda a memória profissional da empresa foi perdida.

24. Implantaram desde o início a famosa mesa de compras, uma instituição de caráter financeiro extremamente prejudicial à própria Telefônica – mas o sistema vinha sendo usado na Espanha, por que não no Brasil? Consiste do seguinte: a empresa faz uma concorrência, como é normal. Convida cerca de 5 a 10 participantes. Uma análise de preços é feita, bem como uma analise técnica. Escolhe-se o vencedor, com o menor preço e a melhor proposta técnica. Normalmente o processo de compra terminaria aí, com a assinatura do contrato e implantação do sistema. Mas na Telefônica é diferente.

25. O processo vai para a mesa de compras, na qual os executivos são remunerados em função dos descontos que conseguem. Chamam a empresa vencedora, e comunicam (sim, não negociam, comunicam) que se o vencedor não der um desconto de, por exemplo, 20%, nada feito, o contrato não será assinado. A empresa escolhida preparou a sua proposta com base em dados de custos, de mercado, prevendo certo nível de compras, certo número de homens-hora de profissionais etc. É obrigada a aceitar a redução imposta pela Telefônica, assina o contrato, o espanhol da mesa de compras fica mais rico com um enorme bônus, e o usuário brasileiro é o único prejudicado. A fim de conseguir implantar o sistema pelo novo preço, agora drasticamente reduzido, o fornecedor tem de fazer cortes.

26. Reduz a qualidade do material, a qualidade da mão-de-obra, reduz a confiabilidade dos sistemas, enfim, adapta sua proposta ao que vai receber. E assim a Telefónica foi ao longo destes últimos 10 anos expandindo as telecomunicações no Estado de São Paulo, da forma mais barata possível, e com baixíssima qualidade e confiabilidade.

27. Mas pelo menos os espanhóis investiram, trouxeram dinheiro da Espanha, verdade? Infelizmente, não. A Telefónica de España não enviou de Madri um único euro para investir no Brasil. Todo o investimento feito aqui pela Telefônica usou receitas obtidas aqui mesmo. Ou seja, quem pagou os investimentos – mal feitos – da Telefônica foi o consumidor brasileiro – e os bancos brasileiros, principalmente o BNDES. Veja bem, vendemos a Telesp aos espanhóis, estes usaram nosso dinheiro para investir e obter lucros enormes que mandam para a Espanha. Além disso, criaram um enorme desemprego no setor – a privatização da Telebrás colocou na rua em dois anos nada menos do que 200 mil pessoas. Sim, 200 mil profissionais foram dispensados. Para dar lugar aos espanhóis ou para fazer economias que no futuro iriam cobrar um pesado preço sob a forma de péssimo serviço e falhas no sistema.

28. A Telefônica terceirizou tudo que foi possível, começando pelo atendimento. Vendeu o setor de atendimento à empresa espanhola Atento, de propriedade da Telefónica de España. Note: de propriedade da Telefónica de España. Ou seja, a Telefônica Brasil compra os serviços da Atento, paga pelos serviços, a Atento lucra com eles, e remete seus lucros diretamente para Madri. Terceirizou  manutenção de prédios, operação dos sistemas, manutenção, tudo. Os projetos são feitos pelos fornecedores, a engenharia idem. Não existe na Telefônica, hoje, um grupo de profissionais de telecom. Ela é nada mais do que a marca. O resto é de terceiros. E mais uma vez feito de forma impositiva e leonina, pois os fornecedores que implantaram os sistemas são chamados e informados de que terão de tirar os defeitos, operar, manter etc. O fornecedor faz seus cálculos, usando o número adequado de homens, de veículos, equipamentos de teste etc. Apresenta uma proposta, e a mesa de compras exige -mais uma vez – enormes descontos. O fornecedor tem de ceder, mas de novo reduz o número de pessoas, de veículos, de equipamentos, reduz a qualidade da mão-de-obra, faz cortes drásticos para poder cumprir o contrato e ainda ter lucro.

29. Neste ponto cabe uma pergunta: como pode a Telefônica imaginar que um determinado serviço que ela anteriormente fazia com mão-de-obra própria ser feito por outra empresa, que irá obrigatoriamente colocar uma margem de lucro, e ainda assim ficar mais barato do que se a operadora o fizesse? Não há lógica.

30. Não se terceiriza jamais o contato com o cliente. É por isso que as empresas aéreas não terceirizam pilotos e aeromoças. Seria inimaginável. E, no entanto, fomos levados aceitar como normal que um atendimento para uma reclamação de defeito numa rede de altíssima tecnologia seja feito por uma mocinha que não tem nenhum vinculo com a Telefônica, nenhum interesse em realmente resolver seu problemas, que não tem a mínima ideia do que é o sistema, que foi treinada como um autômato para burocraticamente anotar a reclamação e passar adianta. Cujo tempo de atendimento é rigidamente controlado e não pode superar 90 segundos. Que mesmo para ir ao toalete tem horários determinados. Tudo para que Madri tenha mais lucros.

31. No último trimestre o faturamento da Telefônica na Espanha caiu 4,2%, enquanto na América Latina cresceu 4,8%. Traduzindo: os cortes de pessoal no Brasil, as economias e cortes de custos que provocam panes e apagões, ajudam a aumentar o lucro da Telefônica no mundo. Quem sustenta a empresa somos nós, latino-americanos, e não os espanhóis. Sabe por quê? Porque na Espanha ela não poderia tratar o cliente da forma que faz aqui. O governo espanhol imediatamente trocaria toda a diretoria da empresa.

32. Mas então, cabe a pergunta: se a Telefônica veio para o Brasil para atender ao Estado de São Paulo, não investiu recursos próprios, é campeã de reclamações no Procon, tem um histórico de falhas, defeitos e panes inédito em todo o mundo, o que ela está trazendo de positivo para o Brasil? Não traz dinheiro, não traz know-how, piorou os serviços.

33. Pare um instante, leitor, e honestamente responda: no dia de hoje, quem é melhor administrada: a Telefônica em São Paulo ou a Petrobrás?

34. Quiséramos nós que as telecomunicações em São Paulo tivessem o mesmo nível que a extração, o refino e a distribuição de combustíveis. Logo, não é verdade que “o Estado não sabe administrar”. Mesmo com alguma interferência política que sabemos existir, a Petrobrás é eficiente, respeitada aqui e lá fora, e não sofre de apagões de combustível.

35. Apenas para reforçar o argumento, e o Banco do Brasil? É estatal e luta no mercado bancário em condições de igualdade, dá lucros enormes e ninguém acusa a diretoria do BB de ser inepta devido ao fato de a empresa ser estatal.

36. Então, esta ideia de que empresa estatal é por definição lenta, obsoleta, com gente preguiçosa e ineficiente, é uma inverdade. Temos de olhar a realidade, sem ideias preconcebidas, e reconhecer que o mundo mudou, Marx está morto, mas o capitalismo selvagem também, e que temos de ser criativos e repensar alguns conceitos. E algumas decisões do passado.

37. Nessa linha, olhando o que a Telefónica de España fez no Brasil nos últimos 10 anos, parece-me que fica claro que não fez nada melhor ou nada mais do que a própria Telebrás teria feito se tivesse a liberdade de que sempre gozou a Petrobrás. Se tivéssemos mantido a Telebrás e a liberado para investir seu próprio dinheiro, hoje teríamos uma empresa poderosa, eficiente, brasileira, e certamente atuando com competência no exterior, como é o caso da Petrobrás.

38. Chegou a hora. Vamos aproveitar o momento de transformações por que passa o mundo, o novo status que o Brasil ganha, e o péssimo nível dos serviços da Telefônica, para comprá-la de volta, colocá-la em mãos brasileiras, com gente que tome decisões com base no cliente brasileiro e não com base em aumentar os lucros que manda para Madri. O Brasil todo irá aprovar.
Poucos sabem, mas a Telebrás ainda existe, não foi extinta, permanece como que “em estado de hibernação”. Tem sede em Brasília, com meia dúzia de funcionários que cuidam principalmente de comunicações governamentais.

39. O contrato de concessão assinado pelo governo brasileiro com a Telefônica, no Capitulo XXVIII, trata da extinção da concessão. Podemos a qualquer momento informar aos espanhóis que nossa paciência se esgotou, que temos gente igual ou melhor do que eles, e que queremos as telecomunicações de São Paulo de volta. Compramos a empresa de volta. Definimos uma forma suave de pagamento. Colocamos gente nossa, do Brasil, comprometida com nossa sociedade, para administrar a empresa. E garanto que os apagões nunca mais se repetirão.

40. Se você acha que este artigo tem lógica, divulgue a ideia. Hoje, enfrentar a gigante espanhola pode parecer um projeto de difícil implantação. Mas Gandhi também tinha um projeto enorme, a liberdade de seu país, e começou com um partido de um homem só. Também Martin Luther King. Se nós quisermos, nós conseguimos.

* Virgílio Freire é engenheiro de telecomunicações, consultor sênior, ex-funcionário da Telesp, ex-presidente da Lucent Technologies no Brasil, da Nortel e de outras empresas.

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sábado, 19 de setembro de 2009

SEGUNDO A FOLHA, HOJE O BRASIL TERMINA NA UTI

Juízo Final

Hoje será o dia do Juízo Final no Brasil, de acordo com o matutino paulista Folha de S. Paulo.

Os hospitais e postos de saúde do país inteiro serão completamente destruídos pela invasão de milhões de pessoas em busca de socorro e atendimento médico, desesperados por terem contraído a gripe suína da “Folha”.

Em julho esse panfleto a serviço do golpismo estampou com letras garrafais em sua capa: “67 milhões de brasileiros serão atingidos pela gripe suína”. E indicava até o prazo para o fato se consumar: dois meses.

Pois é, chegamos ao Dia D.

Não importa que o Ministério da Saúde tenha contabilizado 9.249 casos no país inteiro. O que importa é que o Datafolha não erra e ainda restam algumas horas para 66.990.751 pessoas contraírem a doença da “Folha”.

Como essas pessoas não lerão o jornal amanhã, ficará tudo por isso mesmo e as bravas e combativas moscas que infestam o prédio da Alameda Barão de Limeira, onde está instalado um dos QGs do golpismo,  continuarão infernizando nosso sono.

domingo, 6 de setembro de 2009

Bessinha e a CPI para investigar a Independência

Charge do Bessinha


E precisa dizer mais alguma coisa?

sábado, 5 de setembro de 2009

Leia a grande imprensa de graça.

Ler o que a grande imprensa corporativa e conservadora publica em suas páginas cheias de publicidade oficial (sem as quais não conseguiria sobreviver, embora desanquem a presença do Estado na economia), é importante para conhecer os métodos e modo de pensar dessa elite que ainda julga ser "formadora de opinião", mas que está tendo dificuldades até de enrolar seus próprios adeptos.



Mas qual a razão em desperdiçar nosso suado dinheirinho com essas publicações se é possível ler gratuitamente editoriais, colunas e artigos políticos e econômicos de O Globo, Correio Braziliense, Valor Econômico, Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil, Jornal de Brasília, O Estado de S.Paulo, Isto É, Isto É Dinheiro, Veja e Época? Não coloco a revista Carta Capital no mesmo balaio, mas também é possível lê-la.



Diariamente há um clipping dessas publicações no site do Ministério do Planejamento. Entre lá e divirta-se.

Clique aqui para ler e não esqueça de divulgar.

De volta, aos poucos.... E a Central de Conspiração

Pintura: Júlio Reis Pereira (1902-1983)



Após um longo descanso, retomarei postagens neste blog, com o propósito de mostrar aos poucos amigos e colegas, muitos conhecidos, vizinhos, parentes e outros internautas que por aqui aportarem, aquilo que leio pela internet e nos vários blogs de pessoas que não terceirizam sua consciência e pensamento.



Isso é importante? Pode ser, pode não ser. O que tem de gente falando besteira por aí, se considerando o supra sumo da inteligência humana, não é brincadeira! São pessoas cheias de diplomas pendurados em suas luxuosas salas, ávidos por um holofote global que dê crédito e reconhecimento a suas bizarrices... E por que não posso cometer as minhas besteiras também?



A mídia corporativa, conservadora e elitista (jornais, revistas, rádios, TVs, portais da internet) está cada vez mais alucinada, fazendo o inimaginável para eleger a qualquer custo seu candidato José Serra nas eleições presidenciais de 2010. Mentem, distorcem, manipulam, omitem, forjam, todos ao mesmo tempo, como se obedecessem a ordens emanadas de uma Central de Conspiração.



E o candidato que defendem é alguém sem qualquer tempero, que ninguém sabe o que pensa a respeito das grandes questões políticas, econômicas, sociais, nacionais e internacionas, que só existe porque há essa mídia que o exalta como grande gestor, excelente administrador, mas que no fundo se assemelha a uma imensa farsa a trabalhar nos bastidores em defesa dos interesses de grandes grupos empresariais, contra os trabalhadores, estudantes e a população em geral.



Essa mídia sabe que precisa dele para que seus negócios prosperem. Sabe que precisa dele para continuar sua histórica enganação. Para tentar estancar a queda vertiginosa de leitores, ouvintes e telespectadores. Para tentar estancar sua perda de credibilidade.



E nessa cruzada cometem absurdos descarados, primários, coisa de verdadeiros amadores, que em poucos minutos são desmascarados nos diversos blogs da internet. Com uma arrogância desmedida destilam preconceito e ódio, manifestam ostensivamente seu desprezo a qualquer pensamento crítico, a análises que não se enquadram no script previamente estabelecido pela Central de Conspiração. 



Por isso atacam os blogs, atacam a liberdade de expressão que há na internet. Querem o monopólio da palavra apenas para si próprios e a esse monopólio chamam de "liberdade de imprensa".  



Contra esse estado de coisas, lutar é preciso! Aqui darei minha modesta contribuição na batalha contra as "verdades" midiáticas e por um mundo justo e solidário.



E vamos nessa...
  

quinta-feira, 20 de março de 2008

O direitista enrustido

Do blog Tudo em Cima:


Guia: Como reconhecer um direitista enrustido?


por André Lux, jornalista e crítico-spam (de esquerda)


Inspirado pelo texto do jornalista Leandro Fortes, resolvi fazer uma listinha básica com dicas para quem quer aprender a identificar um direitista enrustido. Porque, como bem sabemos, ninguém tem coragem de admitir que é de direita no Brasil, mas prestando atenção aos discursos e atitudes das pessoas fica fácil identificá-los.

Vamos lá:



1) Como bem apontou Fortes, o direitista enrustido costuma bradar que odeia política e políticos em geral e que “não existe esse negócio de direita e esquerda”. Mas, na prática, é diferente. O cara vota no Maluf, em alguém do PFL, do PSDB ou em qualquer um que for o anti-petista ou anti-esquerdista da vez. Se Adolf Hitler em pessoa ressuscitar e chegar ao segundo turno contra Marta Suplicy, por exemplo, adivinhem só em quem ele vai votar?


2) Eles adoram xingar os abusos da Telefônica, da CPFL e os pedágios caríssimos das estradas. Enquanto você concorda, são só sorrisos. Porém, na hora que você lembra que a culpa de tudo isso recai sobre as privatizações lesa-pátria ocorridas nos oito anos de governo FHC, ele fecha a cara e começa a defendê-las, alegando que “antes a gente tinha que esperar anos pra conseguir um telefone” e que a culpa é das “agências reguladoras” (que também foram criadas pelo FHC). Aí você explica que não é contra parcerias público-privadas, desde que elas sejam feitas em favor da população e não de um grupelho de “amigos do rei”. E então faz aquela fatídica constatação: “Realmente, hoje você consegue uma linha rapidinho, só que paga as tarifas mais caras do mundo, recebe em troca um serviço horrível e não tem ninguém para reclamar”. Se depois disso a pessoa se enfurecer e começar a falar mal do Lula, do PT ou de Cuba, pode ter certeza que você está diante de um direitista.







3) Toda pessoa de direita acredita piamente que as pessoas são pobres porque querem. “O problema do Brasil é que pobre não gosta de trabalhar”, costumam repetir. De tanto ler a Veja e ver o Jornal Nacional, eles passam a crer que o sujeito mora numa favela e só consegue trabalhar de lixeiro porque “não quis estudar” ou “não se esforçou o suficiente para subir na vida”. Quando você lembra que essas pessoas não têm condições nem para comer, são obrigadas a trabalhar desde cedo largando os estudos e, devido a tudo isso, só conseguem arrumar subempregos, o direitista novamente vai fechar a cara e começar a resmungar coisas sem nexo do tipo: “Pode ser, mas se um vagabundo desses entrar na minha casa eu meto tiro!”.


4) Ainda em relação aos excluídos, o direitista vive dizendo que a solução para os problemas sociais do país é “investir em educação”. Claro que, como bom esquerdista, você vai concordar com ele. Mas você será obrigado a explicar que a direita, que governou o país desde que o Cabral invadiu essas terras, nunca investiu em cultura e em educação. Pelo contrário. E foi durante a ditadura militar de direita que o sistema público de ensino sofreu seu golpe mais duro, ficando totalmente sucateado. Então vai lembrar ao direitista que se todo mundo tivesse estudo e condições iguais para “subir na vida”, ele (ou ela) seria obrigado(a) a fazer faxina na própria casa ou a recolher o lixo da rua, já que ninguém mais precisaria se sujeitar a trabalhar nesses subempregos, exceto de forma voluntária para ajudar a comunidade - igual acontece em Cuba – ou no mínimo ganharia um salário igual ao de um médico. Pronto. Depois dessa é melhor você correr para um abrigo!






5) Pessoas de direita tendem a ser extremamente incoerentes. Via de regra, elas falam mal de tudo (política e políticos, programas na TV, filmes, jornalistas, sexualidade, música) e repetem que “o mundo está perdido”, “nada mais presta” ou “na minha época não tinha nada disso”. E geralmente terminam suas reclamações dizendo que a única solução para tudo isso é “jogar uma bomba atômica e começar tudo de novo”. Aí, logo depois, eles afirmam que são “conservadores”...


6) Conheço uma dúzia de caras, por exemplo, que adoram o Pink Floyd (até tocam suas músicas em bandas cover) enquanto repetem jargões que deixariam até um nazista envergonhado. “Vai dizer que o Roger Waters é petista agora??” costumam vociferar quando você aponta essa incongruência a eles. Obviamente, os direitistas confundem ser “de esquerda” com “ser petista” ou “ser comunista”. Quando eles cantam “Imagine”, do Lennon, com certeza não se tocam que aquela é uma música que contesta o sistema vigente que eles defendem, ou seja, é de esquerda. E aí, voltamos à lógica esquizofrênica exposta acima: o direitista enrustido é contra tudo, acha que o mundo está perdido, que o ser humano não presta e que político é tudo FDP, mas na hora das eleições, dá seu voto aos sujeitos mais conservadores, reacionários e corruptos que existem. Justamente aqueles que, além de não mudar nada, vão deixar tudo ainda pior. Aqueles que, como diz Mino Carta, “querem deixar as coisas como estão para ver como é que ficam”.





7) Uma forma fácil de identificar um(a) direitista enrustido(a) é começar a falar sobre Cuba. Disfarçado no discurso “a favor da democracia e da liberdade”, você vai poder identificar todos os clichês mais obtusos que a mídia de direita usa para doutrinar os incautos. Não adianta você dizer que antes do Fidel, Cuba era uma ditadura de direita na qual a maioria esmagadora da população passava fome e não tinha direitos. Nem que, depois do Fidel, ninguém mais passa fome e todos têm acesso gratuito à educação, à saúde, à alimentação e ao transporte. Também é inútil explicar que, em Cuba, não existem crianças na rua pedindo esmola e que a maioria da população tem curso superior adquirido gratuitamente. Pois o direitista vai jogar na sua cara que em Cuba não existem carros zero km, nem telefone celular, nem shopping centers, nem DVD, nem liberdade de imprensa. Sim, trata-se da mesma pessoa que acabou de vociferar que “o mundo está perdido”, “na televisão só tem porcaria”, “jornalista é tudo safado e a imprensa é uma merda”, “hoje em dia essa molecada só quer gastar dinheiro com lixo” e “o problema do Brasil é a falta de educação e cultura”. Eu disse que coerência não é o forte deles, não disse?

8) Direitista enrustido que se preze é a favor do neoliberalismo. Não, ele não tem idéia do que é isso nem quem inventou esse negócio, mas como ouviu o Arnaldo Jabor e o Django Mainardi dizendo que era a solução para os problemas do mundo, ele acreditou. E passou a repetir tudo como um bom papagaio: são contra o Estado e as Estatais (mas não reclamam quando dinheiro público é usado para salvar bancos privados da falência), a favor das privatizações (sim, as mesmas que o fazem espumar de ódio contra a Telefônica) e pregam a “redução dos impostos” (ao mesmo tempo em que choram de raiva por terem que pagar fortunas para ter plano de saúde privado). Como são manipulados pela mídia de direita, adoram meter o pau no governo Lula, não reconhecem nenhum mérito nele e acreditam (mesmo!) que tudo de bom que acontece hoje no país é resultado do governo FHC (embora eles odeiem política e todos os políticos, inclusive os do PSDB, lembram?).





9) Outra característica marcante da turma da direita é a certeza absoluta que são donos da verdade. Quando eles falam sobre qualquer assunto, não estão emitindo uma opinião, mas sim uma verdade única e incontestável. A melhor forma de fazer um tipinho desses sair do armário e mostrar sua verdadeira face é simplesmente contestá-lo com argumentos sólidos e muita calma. Eles até vão tentar rebater, mas quando perceberem que o que estão dizendo é APENAS uma opinião e que, por mais que tentem te ridicularizar ou denegrir, você não vai mudar a sua opinião, o direitista enrustido vai então partir para ataques chulos e de cunho pessoal, como que tentando convencer os outros que o que você diz não tem valor, afinal trata-se de uma pessoa má, feia, fedida, chata ou qualquer outra coisa. Em última instância, o direitista enrustido vai perder todas as estribeiras e acabará apelando para o último recurso usado na tentativa de calar o interlocutor: ameaçar processá-lo!


E então? Você não conhece um monte de gente assim por aí? Vai ver você é uma delas. Mas não se desespere, pois sempre é hora para mudar.


E, como diz John Lennon, eu espero que um dia você possa se juntar a nós para que o mundo possa ser um só...

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domingo, 16 de março de 2008

Nassif e o esgoto da revista Veja

O jornalista Luis Nassif continua sua série de artigos revelando como a revista Veja se tornou a mais digna representante do esgoto jornalístico.



O Caso Veja, como é conhecida a série, é tema obrigatório nos círculos jornalísticos, culturais, acadêmicos e em blogs na internet. Mas a "grande imprensa" resolveu se calar, como se, agindo assim, o assunto sumisse do mapa. Nada mais enganador.



Acompanhem toda a série clicando no ícone abaixo:








sábado, 16 de fevereiro de 2008

Indignação Seletiva da Imprensa Golpista

Luís Favre, marido da ministra Marta Suplicy, publica um artigo interessante no seu blog, a respeito da viagem do presidente Lula à Antartida que, na comitiva, contou com a presença do Lulinha. Notem como os jornais do PIG (Partido da Imprensa Golpista) demonstram uma indignação seletiva, aliviando a barra dos seus aliados políticos .



Sábado, 16/02/2008 - 13:54




A presença do filho de Lula na comitiva que acompanha o presidente à Antártida já deu várias matérias iradas, tanto no jornal O Estado de São Paulo, como na Folha.


Os ministros e porta-voz são intimados a dar explicações. A foto do filho está em destaque em ambos os jornais.



Aparentemente, a mídia paulista faz seu trabalho e ponto.



Aparentemente…




Em maio de 2004, o presidente Lula viajou à China em visita oficial. Na delegação, vários governadores e entre eles, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin.



Alckmin viajou acompanhado também de sua filha Sophia, a mesma que trabalhava como gerente na Daslu.




Procurem na Folha ou no Estadão algum traço da presença da filha de Alckmin na delegação. Nadinha.




O único que eu achei, após pesquisar, foi este relato publicado na revista Caras, da editora Abril, muito depois e a propósito do casamento da filha do ex-governador.


Relata Caras:

Ela e o noivo, filho de Sônia e Eduardo Alberto Cunha Ribeiro, se conheceram em uma viagem à China. No avião, com o pai ainda governador e várias outras autoridades, Sophia e Mario Sergio eram os mais jovens. Sentaram-se lado a lado, começaram a conversar e a sintonia foi imediata.” (Caras 3/8/2007).



Já com Fernando Henrique Cardoso, basta lembrar a viagem à Ásia com uma comitiva de 100 pessoas (além de sua esposa não deu para saber quem estava na comitiva), em janeiro de 2001. A informação oficial foi publicada assim:



O DOU (Diário Oficial da União) publica decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso designando a delegação que vai acompanhá-lo na sua visita à República da Coréia, no período de 17 a 20 próximos.


Integram a comitiva: Ruth Cardoso, o ministro interino das Relações Exteriores, Luis Felipe Seixas Corrêa; o ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg; os deputados federais Arnaldo Madeira e Marcos Cintra; o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Roberto Gianetti da Fonseca, e o professor da Universidade de São Paulo, Brasílio Sallum Júnior.



Em outros decretos também são designadas as autoridades que acompanharão o presidente Fernando Henrique à República da Indonésia, entre os dias 20 e 23 deste mês e ao Timor Leste. As informações são da Agência Brasil.”


A comitiva acabou sendo de 130, incluídos os jornalistas convidados.



Como ninguém é de ferro, a viagem comportou uma escala turística na ilha de Balí, com dinheiro do pre-cartão. Só a diária dele foi de $2.000 dólares. A Folha noticiou assim:

” Sossego e paz



Entre Seul e Jacarta, FHC terá um final de semana de descanso no paraíso turístico de Bali. A escala foi incluída oficialmente no roteiro por ser a ilha mais próxima do Timor Leste, onde o Airbus 330 fretado pelo governo não consegue pousar.O custo da viagem -incluídas as 55 horas de vôo- não havia sido divulgado pela Presidência até a véspera do embarque.”









Sérgio Lima/Folha Imagem



Fernando Henrique Cardoso recebe colar de flores de criança, ao desembarcar na ilha de Bali







Sérgio Lima/Folha Imagem
O presidente FHC e a primeira-dama, Ruth Cardoso, durante visita a templo hindu, em Bali

Em outra nota, a Folha destaca:

“O turista FHC achou que Bali confirma a lenda de lugar místico. “”É mágico”, disse. Mas, embora impressionado com a estrutura de turismo na ilha, insistiu em dizer que prefere as praias brasileiras.Nas suas últimas 14 horas de descanso em Bali, FHC conseguiu uma folga até da cobertura dos jornalistas que acompanham sua viagem à Ásia. Por determinação da Presidência, os jornalistas seguiram antecipadamente para o Timor Leste.”

E o próprio Fernando Henrique, quando tomou conhecimento que alguns achavam demais pagar com dinheiro público uma visita turística a Bali, respondeu professoral:

Isso é outra coisa que precisa acabar no Brasil, essa mentalidade atrasada de que o presidente vai passear”.

LF
(Esta nota é uma contribuição ao concurso de Mino Carta e PHA)